domingo, 5 de outubro de 2008

Suspeitas...

Há suspeitas, pela quantidade de votos nulos divulgados pela Justiça Eleitoral, de que os votos de Arnaldo Vianna estão sendo computados como nulos.

Rosinha Odete Feijo Nulos Branco
38.933 11.358 1.400 41.957 1.767

Fonte: TV Litoral.

São Francisco

Frederico Barbosa Lemos acaba de ligar para o pai na Difusora, dizendo o seguinte: "Meu pai, São Francisco foi libertada!!!"

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"O passado já ficou pra trás" (?)

Assim diz o jingle da candidatura do PMDB à prefeitura de Campos dos Goytacazes. E é também idéia recorrente nos discursos de outras candidaturas no município. Não acredito que seja apenas uma questão semântica, para a rima da campanha... na verdade, essa idéia de descrédito em relação ao passado soa bastante providencial às principais candidaturas.
Ouço muito os jovens reclamarem da frustração de ter que utilizar seu primeiro voto nesse processo eleitoral tão desestimulante. Eles revelam o interesse em votar de verdade, num candidato que os representasse. No entanto, não encontram alternativa.
Essa idéia de que o passado ficou pra trás cria, ao mesmo tempo, uma impressão de que as coisas surgem "do nada", que um candidato é aquele que roubou demais, e o outro também pode roubar, mas roubará menos. Que um construiu isso e o outro aquilo. E assim, a discussão vai rumando para um ponto finito, excluindo qualquer outra possibilidade. Nessa matemática simples, quem nunca exerceu um mandato público, de preferência no executivo, não está "preparado". Talvez em outra ocasião possamos pensar um pouco sobre o significado dessa "preparação".
No entanto, o passado não "ficou" pra trás. Ele "está" lá atrás, e seus reflexos aqui conosco. Ele precisa ser revisitado. Porém, esse exercício é perigoso, pelo menos parece ser a preocupação da maioria dos candidatos. Quem quer deixar o passado pra trás quer tirar a capacidade crítica do cidadão, quer a visão momentânea, instantânea. Temo muito pelos desastres que podem ocorrer em nossa cidade nos próximos anos em relação a educação.
O salário do professor no magistério público estadual é de apenas R$ 540,65 (embora alguns achem que é muito, como já mostrei aqui no blog), enquanto que no Acre, é de R$ 1.498,00, um Estado cujo o PIB em 2005 foi de R$ 44,8 bilhões, contra R$ 246,9 bilhões do Rio de Janeiro (IBGE). Comparando-se o PIB do estado e o salário do professor nesses dois casos, vemos que os investimentos em educação são vergonhosos por aqui.
Já o professor da rede municipal em Campos recebe aproximadamente o dobro, porém, as condições de trabalho são péssimas. São comuns as reclamações sobre falta de recursos nas escolas do município: não há biblioteca, xerox (os professores têm que pagar do próprio bolso as cópias), nem matriz pra mimeógrafo, a condição dos prédios é precária, enquanto na rede estadual, pelo menos as escolas que conheço, possuem bons acervos em suas bibliotecas (tanto para os alunos quanto para os professores), recursos multi-mídia, laboratórios de informática, etc. Será que não daria pra associar as duas coisas? É tenebroso o futuro que vislumbro daqui.


(clique na imagem abaixo para ampliar)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Maldita internet!













Somente agora tive acesso a um material que teria feito minha vida um pouco diferente há uns 15, 16 anos e, fatalmente, hoje seria outro o destino.
Falo do áudio do primeiro show de uma banda chamada "Engenheiros do Hawaii", que era apenas uma brincadeira para a formatura da turma de arquitetura da UFRS de 1985. Logo em seguida, ouvi a demo do que viria a ser o disco "Longe Demais das Capitais". Nossa! simplérrimo!!! Aí eu fico pensando: as primeiras são assim mesmo.. não tem que ficar nessa neura que tenho de compor uma obra prima logo de cara.. tem que brincar mesmo.. Depis ouvi a demo da "Revolta dos Dândis", com Sweet Gardênia e tudo. Por último, a demo do de um dos discos que mais ouvi, o "Gessinger, Licks e Maltz". A banda então já ocupava o mainstream do rock nacional e, no entanto, as músicas nasceram da forma mais simples possível.
Preciso reunir uns amigos pra ouvir esse negócio. Rodrigo Manhães, Gileno, Vítor... respondam!!! Urgente!!!!

domingo, 28 de setembro de 2008

Dos Hermanos

Mais um disco, só que esse nem chega a sê-lo. Não tem suporte tátil. O “disco” é um site, com projeto gráfico, letras, release, ficha técnica e as mp3 para baixar. Maravilhoso!
Desde a turbulenta saída do guitarrista Augusto Licks em 1993, e do baterista e fundador da banda Carlos Maltz em 1996 que os Engenheiros do Hawaii se tornaram uma banda de um homem só, com pelo menos umas cinco formações diferentes tendo sempre Humberto Gessinger à frente. Afastados da mídia (mas nunca abandonados pelos fãs), retornaram às rádios e TVs com o Acústico MTV (2004), realizando a mais longa turnê da carreira (cerca de 3 anos), que foi se alterando a cada show e provocando mais um registro ao vivo, desta vez sem o selo da MTV, o disco/DVD “Novos Horizontes”.
Em julho de 2008, o próprio Humberto anunciava no site da banda que os Engenheiros do Hawaii sairiam da estrada por um tempo. Mais uma briga interna? Talvez, mas o lado positivo foi o encontro com o guitarrista da banda gaúcha Cidadão Quem, o Duca Leindecker, que acabou proporcionando o projeto “Pouca Vogal”.
Em 1992 Gessinger dizia que ser gaúcho era isso: “muita consoante e pouca vogal”. A solidão dos pampas, o jeito introspectivo de ser brasileiro, sem swing, sem vogal, mas sim o som fechado das consoantes, presentes nos sobrenomes dos imigrantes.
Pra nossa surpresa, depois de tantos anos é retomado exatamente esse aspecto dos gaúchos. Parece que foi preciso estar fora dos Engenheiros do Hawaii pra voltar a ser os Engenheiros do Hawaii. Citações de auto referência, como essa de dizer nas músicas o que havia sido dito numa entrevista de tanto tempo atrás, podem ser encontradas na faixa que dá nome ao disco. “Pouca Vogal” é uma canção que necessita de um glossário portoalegrense para entendermos o que significa, por exemplo, a expressão “tudo allesblau” [“tudo azul”, que deve ser: all = tudo (inglês); és = é (espanhol); blau = azul (alemão)], fruto da convergência das correntes migratórias que o sul recebeu ao longo da história, e a própria proximidade com a América Espanhola. Lembra a regravação de “Herdeiro da Pampa Pobre”, do Gaúcho da Fronteira, presente num disco dos tempos áureos, o “Várias Variáveis”, que trazia a faixa “Piano Bar”, citada justamente em “Pouca Vogal”, em seu refrão: “No táxi que me trouxe até aqui / cantavam dois irmãos / tchau astral estranho deu pra ti / vou pegar o avião”. Vão aí uma referência a dupla Clayton e Cledir e ao período em que o Gessinger viveu no Rio de Janeiro, no auge de sua banda.
Além desta faixa, existem também “Pra quem gosta de nós”, repleta de gauchismo (e muito gauche), “O vôo do besouro”, “depois da curva”, entre outras.
Outro fato interessante, que também remonta os primórdios dos Engenheiros é a engenhosidade na execução das músicas. Nos tempos de trio era preciso muita habilidade para preencher as músicas, como tocar teclados com os pés, disparar samplers, etc. No Pouca Vogal, Humberto Gessinger ressuscita o seu midi pedalboard, além de alternar entre violões (nylon, aço 6 e 12), viola caipira, baixo e teclados, enquanto o Leindecker ataca de guitarras bem sensíveis e precisas, violões e percussão, além de mandar muito bem no Pro Tools, mixando o disco.
O resto é com vocês. Ouçam e comentem. Eu estou muito feliz por sentir novamente um pouco do que sentia na minha adolescência.

sábado, 27 de setembro de 2008

Filho único

Antes de falar diretamente do disco, gostaria de salientar que, o fato de estar totalmente disponível para download grátis na internet vem nos mostrar que música de qualidade não precisa de gravadora. O bom artista não precisa de jabá, pois sua música não é nenhum purgante que precisa ser enfiado goela abaixo das pessoas.

O disco “sou”, de Marcelo Camelo, embora não pareça, tem de tudo: desde o fim de tarde na beira do mar, em “Doce Solidão” ou com as guitarras limpinhas e a bateria jazzística de “Téo e a Gaivota”, passando pelas batidas de marchinha em “Tudo Passa” e “Copacabana”, pelos violões quase-eruditos de “Passeando” e “Saudade”, o Folk em “Janta”, que conta com a participação da mocinha promovida pela MTV, Mallu Magalhães, passando por uma coisa meio Caetano Veloso dos tempos de Araçá Azul e Livro, com batidas viradas de caixa, guitarrinhas soladas, e falsetes em “Vida Doce”, chegando até a “Menina Bordada”, que pode muito bem tocar num trio elétrico do carnaval da Bahia, no estilo Timbalada.

Está achando estranhos estes comentários? É mesmo de se estranhar, porque podemos ouvir o disco inteiro e não encontrar nada disso, já que ao mesmo tempo está tudo numa mesma linha sussurrada, de uma voz que acabou de acordar. Quem não tem muita paciência sente vontade de oferecer um prato de feijão ao moço-velho-moço.

Porém, não é nada simples compor um disco que pode tocar no trio elétrico da Ivete Sangalo e “animar” um carnaval de velhinhos num hotel-fazenda em Raposo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Discos novos!!!

Desde que me entendo por gente, esse entendimento tem a ver com música. A minha adolescência foi marcada por longas conversas com amigos sobre os discos do ano. Estávamos sempre atentos ao calendário dos lançamentos: disco da Legião de dois em dois anos, disco dos Engenheiros sempre sendo gravado por volta de junho, julho, chegando às lojas para o natal, todo ano. Corria pra ser o primeiro da cidade a comprar, ouvir, volume alto, trancado no quarto, lendo as letras com atenção, lendo a ficha técnica, olho nas manhas de gravação, quem tocou o quê, as vozes... digerir, depois ler as críticas na Bizz...
De uns tempos pra cá isso perdeu a força. O MP3 possibilitou revisitar coisas do passado, festival de anos oitenta, aquilo tudo que havia se perdido com as fitas k7, listas para churrasco, faxina de sábado, correção de prova, mp3 player... Possibilitou também o desapego ao disco como objeto. Nada de encarte, letras o fichas técnicas... nada de Bizz, nada de conversa sobre os discos. Enfim, nada de disco.
Veio o DVD e ouvir apenas ficou pouco, é preciso também ver.
Com isso, os últios discos que comprei foram de artistas que gosto muito: o acústico dos Engenheiros (2004) e o Los Hermanos 4 (2004).
Passados 4 anos sem muitas novidades, sem discos novos, acabam de sair 3 discos quentinhos do "pro tools": Marcelo Camelo "Sou" (nós); Humberto Gessinger e Duca Leindecker "Pouca Vogal" e Lenine "Labiata". Os três de vez, assim, uma avalanche de informações!!!! Isso dá uma renovada e tanto! É como encher o tanque de combustível.
Logo, logo ponho mais informações por aqui.