sábado, 1 de novembro de 2008

Difícil de escrever, difícil de entender

Quando era adolescente escrevia poesia a torto e a direito. Nos cadernos de escola copiava letras de música, na praia escrevia versos efêmeros, que as ondas levavam, misturando os grãos de areia (talvez ainda estejam por lá). Já marquei troncos de árvores antigas com a ponta do canivete, flechas, corações e seiva. Sêmen suor e sujeira.

Como todo mundo, já escrevi obras primas em guardanapos de bar, com sílabas borradas pelos pingos do copo de cerveja - a última saideira solitária – quando ninguém te abraça, beija ou censura: “Já chega, você bebeu demais!”

Tudo se perdeu por aí... posso até me lembrar de alguns versos, mais ainda dos guardanapos, cadernos, árvores e areia. Mas agora, quando eu mais queria, não escrevo nada.

Há tempos desejo escrever não poemas, mas canções. Até agora nada, nem um “atirei o pau no gato” sequer, e isso me angustia um pouco.

Entre todos os defeitos de que me acusam, confesso um: Sou... chato! É, isso mesmo, chato. Poderia dizer “exigente”, “perfeccionista”, mas não passo mesmo de um sujeito chato. Uma chatice ridícula, que sustenta certa inocência e honestidade caras à sanidade. Outro dia me acusaram de “marxista infantil”, ou algo que o valha. Achei o “infantil” um elogio, posto que o infantil é o puro, ainda não corrompido pelo desespero da maturidade, mas não sei se propriamente o marxismo conduz minhas ações, pois não consigo obrigar os outros a nada. Assim, não vivo o cristianismo institucional nem o marxismo. Por isso seria mais um cristão primitivo ou, no máximo, um admirador de Francisco de Assis.

De qualquer modo, em momentos como este, quando sinto necessidade de escrever algo, esses pensamentos me vêm à cabeça, porém, nem sempre tenho a competência de representá-los de forma literária. Resta-me então, revelá-los de forma direta, sem os pudores intelectuais do marxismo (crime do qual me acusam) e com a inocência infantil de uma honestidade tola do “Fool on the Hill”, daquele que não se importa em “ser o vencedor”.

3 comentários:

Antônio Ivo disse...

O professor é realmente um cara difícil de (D)escrever, porém não tão difícil de entender. Afinal, se fosse assim eu não estaria tirando notas boas em história..
(risos)
Abração professor

Ana Paula Motta disse...

Não se importe de ser o "tolo da colina", o que vê o pôr-do-sol,o que vê beleza onde outros só vêem o óbvio.Nós 9os que não temos vergonha de sentir,de chorar,de gargalhar)somos incomprendidos por muitos mas admirados por quem realmente importa. Outro dia fui elogiada por um aspecto da minha personalidade que a maioria acha uma tolice.Isso até me inspirou um texto (que ainda não escrevi)mas que deve se chamar "A mulher que eu gosto de ser" (se eu não mudar de idéia antes,rs).
Beijo grande.

Bete Soares disse...

Não nascemos para ser aquilo que querem que sejamos; porém temos de ter coragem para caminharmos na direção de nosso próprio brilho, de nossa própria LUZ.
Senão fica-se ofuscado com a luz do OUTRO, e acaba-se forjando uma imagem irreal de sua personalidade.
Portanto, amigo, fale, escreva, se mostre. Assim você abre o portal da amizade e descobre que todos estão irmanados.
Um grande abraço.