Estou distante... sem passar por aqui. Estive ocupado trabalhando em um projeto de mestrado, e mais ocupado ainda me recuperando dos golpes que sofri da banca. Desde então não tive tempo de pensar direito em desistir de tudo, em enfrentar tudo, de entender que tudo não passou de um ritual de iniciação e vaidade, e ainda não sei se quero seguir fazendo parte de tudo isso. Mas sigo em frente.
O trabalho que nos consome a cada dia... cada vez mais horas divididas entre o trabalho e o sono. A felicidade de céus azuis e águas cristalinas, novos ares e pessoas, fica cada vez mais distante de nós. O prazer mais imediato é o mais banal: a vontade de almoçar em casa, de brincar com os animais de estimação, cuidar das plantas, dormir em nossa confortável cama... coisas banais mas que adquirem um significado tão importante nestes tempos de aflição.
De qualquer forma, vou ver se consigo passar mais vezes por aqui. Amanhã e depois serão dias de internato na correção de provas... assim que me livrar de tudo isso volto a este blog (se é que ainda há leitores). Boa noite e bom final de semana a todos.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Ausência
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Rodrigo Rosselini
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Marcadores: Pessoal
sábado, 11 de abril de 2009
"Então erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia"
O cigarro que fumo está custando R$ 4,50. O imposto sobre o cigarro foi aumentado para baratear a construção civil, setor que mais cresce e emprega no Brasil. Eu só não sei como os pedreiros vão fazer pra fumar seu tradicional cigarrinho depois do igualmente tradicional cafezinho durante o intenso trabalho (a gente vai fumando que também sem um cigarro, ninguém segura esse rojão).
O governo, o cinema, as artes em geral, a civilização ocidental capitalista e liberal inteira glamourizou o cigarro: foi um símbolo de status, de desprendimento, de rebeldia, um produto bem rentável. Investiu-se em marcas, modelos e propagandas diversas. Viciou-se o mundo inteiro.
Vivemos um mundo que busca a perfeição. Buscam-se leis perfeitas, uma segurança perfeita contra a violência, uma saúde perfeita, a juventude eterna, a vida eterna! As crianças não podem ser contrariadas - já não se diz não para educar – a classificação etária está no cinema, na TV, nos restaurantes, nos brinquedos; a alimentação é light, diet, zero...
Toda essa onda de varrer a sujeira pra baixo do tapete produz uma vida muito vazia, muito chata. Já não há mais ideologia, os princípios liberais, disfarçados de democracia a tudo venceram, mas produziram e produzem cada vez mais a artificialidade, ou a virtualidade. Não há mais limites entre o fantástico e o real, pois o real não existe mais. No entanto, as crianças de hoje parecem ser muito mais violentas que antes. Quando brincávamos com armas de brinquedo, no ambiente real dos quintais de nossas casas, na brincadeira de “polícia e ladrão”, sabíamos que não iríamos ferir nosso colega; não havia sangue, e sim o espaço para ele reclamar que não valeu, que ele conseguiu desviar a tempo. No videogame existem armas poderosíssimas, crimes, tortura, e sangue, muito sangue; ali a criança não está vendo seu colega, não está vendo ninguém, está trancada, na solidão de seu quarto, na carência afetiva provocada pela falta dos pais que estão sempre trabalhando em níveis máximos de exploração da mais-valia; ali a criança perde a noção do real.
No entanto, proibiram a arma de brinquedo, assim como estão querendo proibir o cigarro, e pelo mesmo princípio: a obsolescência. Assim como a arma de brinquedo, o cigarro se tornou ultrapassado, economicamente não é mais interessante. Vender Gatorade é mais barato e rende muito mais. Da mesma maneira que o videogame substituiu a arcaica arminha de brinquedo, o revolvinho de espoleta do Magnum, ele, que vicia tanto quanto o cigarro, um dia também será combatido sub o pretexto de trazer transtornos para os jovens.
É muita hipocrisia. Digam logo: queremos proibir o cigarro porque ele não é mais tão lucrativo, ou, ele é lucrativo, mas os prejuízos que ele traz para a economia são enormes, e o governo não quer mais gastar com saúde, aliás, segundo os preceitos neoliberais, não deve mais gastar com saúde. Nem saúde nem educação, isso agora é responsabilidade da iniciativa privada. Deixa os ricos fumarem, porque esses podem pagar os planos de saúde, e por isso o cigarro tem que subir bastante de preço, inclusive para manter seu poder de distinção.
Ontem passava na TV o filme “O advogado do Diabo”, e durante a cena final o diabo, interpretado por Al Pacino falava sobre Deus, e sobre a liberdade do livre-arbítrio, do quanto isso é perverso: “olhe, mas não toque; toque mas não prove”, deixando sobre o indivíduo a responsabilidade sobre seus erros.
É igual ao crédito bancário: O Itaú aumenta a cada dia o cheque especial de seus clientes, como se fosse uma liberação de crédito, mas na verdade é, nas palavras de um amigo, “uma agiotagem oficial”, pois os juros são criminosos. Depois, eles enviam cinicamente uma cartilha falando sobre o uso consciente das linhas de crédito. Complicado, não?
Pois bem, esse é um dos princípios do liberalismo: você é livre para consumir, mas o lixo é um dos grandes problemas ambientais, que vai acabar com a humanidade; você foi livre, durante mais de um século, para se viciar, mas agora tem que se comportar como criminoso para fumar seu cigarro.
Esquecem-se que a fome ainda mata bastante no mundo, que a violência exacerbada é sim, uma questão de desigualdade e de ausência do Estado.
Eu me pergunto, neste sábado de aleluia: Não seria também crime malhar o Judas?
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Rodrigo Rosselini
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sábado, 21 de março de 2009
Mais tradições
Uma das tradições louváveis é aquela ligada a literatura: temos, ainda em atividade, a mais antiga livraria do país e o terceiro jornal mais aintigo ainda em circulação no Brasil. O Monitor Campista é, sem dúvida, um dos maiores patrimônios culturais de Campos, ou talvez de toda a terra fluminense. É fonte fundamental de pesquisas na área das ciências humanas, para aqueles que pretendem uma análise atenta do cenário político do Norte Fluminense durante o Império, a passagem para o regime republicano e os tensos anos de 1920 até às vésperas do movimento de 1930.
Tradicionalmente esse jornal publicou o Diário Oficial do município, o que não necessariamente afetou sua qualidade jornalística, ao contrário de outros diários mais recentes que se comportam como panfletos partidários (não exatamente partidários, porque a política por aqui é a mais personalista possível e a ideologia partidária passa ao largo) pessimamente redigidos e editados.
No passado vários intelectuais enriqueceram as colunas deste jornal: jornalistas, juristas e políticos de outra estirpe intelectual. Da mesma forma que abriga hoje em seu staff os melhores jornalistas da cidade.
Porém outra tradição não tão louvável é o fenômeno do radialismo político na cidade, sobretudo a partir dos anos 1970/80. As rádios AM produziram, à partir deste período, ícones personalistas, verdadeiros ícones carismáticos que se apoderam da palavra e a usam em tom de verdade absoluta, de forma enfática e agressiva.
Essa palavra, de alcance bem maior que a mídia impressa, atingiu em cheio sobretudo as camadas mais populares, que constituíram a base de uma espécie de "neopopulismo" que se instalou em nossa cidade há vinte anos, e veio assumindo novas formas, novas "ideologias", acumulando cada vez mais capital (político e econômico), e alçando vôos cada vez mais audaciosos. Hoje, além do rádio (cada vez mais forte), dominam também a mídia impressa, e os veículos que mais circulam, apresentam traços gritantes de comprometimento político até a alma com tais grupos.
Eis então que o atual governo municipal decide retirar do velho Monitor o D.O., tentando de alguma forma sufocar o jornal, o que acho difícil. Será que o D.O. iria parar em outro diário mais conveniente aos seus interesses? Não sabemos. Mas é notório que a administração municipal que aí está conhece muito bem a força dos meios de comunicação, e os usam como ninguém.
De qualquer forma, acredito que a qualidade e a importância histórica deste jornal que, como já disse, é nosso maior patrimônio, garantirão a sua permanência como o veículo sério que sempre foi.
Vida longa aou Monitor Campista!
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Rodrigo Rosselini
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Tradição
Por volta das 13h de hoje, liceístas organizavam manifestação em frente a escola (exatamente onde se encontra a pequena carroagem na foto ao lado, do séc. XIX). Motivo? O uniforme. Nos anos 90 houve algo parecido. O governo do Estado decidiu padronizar os uniformes da rede estadual, independente das escolas. A uniformização do uniforme, por mais redundante que pareça, de certa forma contribuiu para a perda da identidade de algumas escolas, e para a rotulação do aluno, que deixava de ser desta ou daquela escola, e passaria a ser identificado como aluno da rede pública de ensino.Nos anos 90 nós vencemos, mantivemos o nosso uniforme, assim como o IEPAM e o Nilo Peçanha, muito por conta da articulação de seus grêmios estudantis.
Hoje, mais uma vez a questão retorna. Um novo uniforme foi imposto à toda a rede, e mais uma vez os estudantes protestaram. Estenderam os uniformes no chão, em frente à escola, e gritavam: "Liceu é tradição, não é humilhação". Eu passava pela frente da escola e inevitavelmente, como liceísta, me misturei aos estudantes. Muito válida a sua manifestação, sua luta pela manutenção da identidade.
Porém, esse discurso da tradição contra a humilhação me soou um tanto perigosa: qual o significado desta tradição? Se for a idéia de identidade, tudo bem; mas se for a manutenção de um caráter elitista de segregação, onde o Liceu não pode se comparar às outras escolas da rede, acho complicado.
Espero que a luta se estenda para as outras escolas, e que seja possível acabar com a uniformização do uniforme. Que este seja um símbolo de distinção e identidade para todas as escolas, e não um rótulo para a rede pública de ensino.
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Rodrigo Rosselini
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domingo, 15 de março de 2009
habitus academicus - utilíssimo!!!
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Rodrigo Rosselini
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Presidente da ANPOCS na UENF
Na próxima quarta-feira, 18 de março, a Dra. Maria Alice Rezende de Carvalho, atual presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), estará no Centro de Convenções da UENF, às 9h, proferindo a aula inaugural de 2009 do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política e da graduação em Ciências Sociais da UENF. O tema será: "Os 20 Anos da Constituição Brasileira".Uma ótima oportunidade para todos aqueles que se interessam pelas discussões acerca do pensamento social brasileiro.
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09:50
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Cumprindo o desafio
Recebi da Ana Paula um desafio, que ela, por sua vez, recebeu de um amigo. É mais ou menos assim:
No livro que tenho mesmo à mão (A Organização Nacional), Alberto Torres, na página 116, 5ª linha, a frase completa: "Demos terra a todos os homens válidos; instrução primária, a todos o que podem ver e ouvir; instrução secundária e superior, a todos os que são capazes, não a dando a nenhum que não o seja; educação social e profissional, também a todos; e não temamos o futuro. O brasil é um país destinado a ser o esboço da humanidade futura".
Frase oportuna e adequada, considerando-se ter sido escrita na década de 1910, a partir de um ponto de vista bastante conservador, mas que não deve ser de todo mal. Tivéssemos cumprido parte disso, teríamos de fato cumprido esse destino... Ou pelo menos mais próximos de cumprí-lo.
Desculpem não estar lendo nada mais belo e literário... são os ossos do ofício.
E o desafio segue para:
Jules Rimet
Rodrigo Manhães
Professora Hilda Helena
Gustavo Soffiati
Aucilene Freitas
Façam o mesmo! Peguem o livro que estiverem lendo, abram-no numa página qualquer e transcrevam o que estiver na quinta linha!!!
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Rodrigo Rosselini
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